R$ 1 milhão em bolsa e quase R$ 2 milhões em mala: suspeitos foram presos por não explicarem origem do dinheiro, diz polícia
17/02/2026
(Foto: Reprodução) R$ 1 milhão em bolsa e quase R$ 2 milhões em mala: transportar dinheiro em espécie é crime
Os suspeitos envolvidos nos recentes casos das apreensões de dinheiro em espécie em Goiás foram presos por não terem explicado a origem da grana, de acordo com a polícia. Só de outubro do ano passado a janeiro deste ano, quatro casos de grandes valores apreendidos em malas e bolsas chamaram a atenção no estado, sendo um deles de quase R$ 2 milhões.
Não há limite legal para portar dinheiro em espécie, de acordo com a Delegacia da Receita Federal em Goiânia e com o Banco Central. Portanto, alguém flagrado pela polícia transportando mil reais ou R$ 1 milhão pode ser preso e levado à delegacia para dar explicações.
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Os recentes flagrantes de transporte de dinheiro em território goiano foram:
Mochila com R$ 1 milhão dentro de carro: No dia 15 de outubro de 2025, policiais militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope) encontraram o valor com um homem, em Goiânia. Como ele não soube explicar a origem do dinheiro, o suspeito poderia responder por lavagem de dinheiro, além de posse ilegal de arma de fogo, segundo a Polícia Militar. A investigação do caso ficou com a Polícia Federal.
Passageiro de ônibus com R$ 850 mil: Também nesse caso, o dinheiro estava escondido em uma mochila. No dia 7 de novembro, o ônibus, que havia saído de São Paulo e ia para Brasília, foi interceptado na BR-153, em Hidrolândia, na Região Metropolitana de Goiânia. De acordo com a Polícia Militar, a abordagem foi feita pelo Grupamento de Intervenção Rápida e Ostensiva (Giro) após um compartilhamento de informações com o serviço de inteligência da polícia. O passageiro, um idoso de 66 anos, foi levado à PF, onde foi autuado por lavagem de dinheiro.
R$ 1 milhão em duas bolsas: Na madrugada de 18 de dezembro, dois homens que transportavam o dinheiro foram abordados por uma equipe do Comando de Operações de Cerrado (COD), da Polícia Militar, em Catalão, no sul de Goiás. Ao revistarem o carro onde a dupla estava, os policiais encontraram os maços de cédulas de R$ 100. Questionados sobre a origem, os dois ficaram em silêncio, e, por isso, a quantia foi apreendida. Os homens, no entanto, não foram presos. Nesse caso, a investigação ficou a cargo do Grupo Especial de Investigação Criminal (Geic), da Polícia Civil.
Quase R$ 2 milhões em mala: No dia 29 de janeiro, policiais do COD encontraram R$ 1,7 milhão na BR-050, em Cristalina, no Entorno do Distrito Federal. O dinheiro estava no porta-malas de um carro que seguia de São Paulo para Brasília. Segundo a Polícia Militar, os dois homens que estavam com o dinheiro teriam dito primeiramente que iriam comprar um carro importado, de luxo. Depois, eles mudaram a versão, dizendo que era para o pagamento de um advogado. O valor foi apreendido e os suspeitos foram levados para a Delegacia da Polícia Federal, em Brasília.
Em todos os casos, os nomes dos envolvidos não foram divulgados. Por isso, o g1 não localizou as suas defesas.
À esq., R$ 850 mil apreendidos em Hidrolândia, com o passageiro de um ônibus; à dir, R$ 1,7 milhão que estavam com dois homens, em Cristalina
Divulgação/ Polícia Militar de Goiás
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Suspeitas de crimes
As prisões dos suspeitos para dar explicações e as apreensões dos valores acontecem quando a polícia constata indícios de práticas criminosas. De acordo com a delegacia da Receita Federal em Goiânia, as investigações podem ser motivadas em caso de suspeita dos seguintes crimes:
Lavagem de dinheiro;
Sonegação fiscal;
Corrupção;
Evasão.
O advogado criminalista Marcelo Di Rezende explica que, por mais que a pessoa alegue origem lícita, sem a devida comprovação a polícia tem a chamada "fé pública" para reter o dinheiro.
O especialista esclarece que, primeiramente, o portador da grana pode responder por delitos que envolvam crimes financeiros, como a sonegação de impostos ou evasão fiscal.
"Isso não impede que a questão evolua para delitos mais graves, como lavagem de dinheiro ou, ainda, a crimes que comprovem que o dinheiro apreendido seria utilizado para ocultar a origem ilícita, por meio de outras atividades criminosas como o tráfico de drogas ou corrupção, por exemplo", afirmou.
À esq., os dois homens presos com R$ 1,7 milhão em Cristalina; à dir. idoso que levava R$ 850 mil em ônibus, preso em Hidrolândia
Divulgação/ Polícia Militar de Goiás
Para evitar problemas, a Receita Federal recomenda que o portador do dinheiro leve sempre comprovantes, como declaração de Imposto de Renda, notas fiscais, contratos e recibos.
Além disso, movimentações em espécie acima de R$ 30 mil precisam ser informadas à Receita por meio da Declaração de Movimentação de Valores em Espécie (DME). As informações de como fazer a declaração podem ser conferidas no site da Receita.
Cautela no agronegócio
Por ser um estado com forte presença de atividades rurais, ainda é comum em Goiás que pessoas envolvidas no agronegócio prefiram lidar com o chamado "dinheiro vivo", a despeito do avanço dos meios de pagamento, como, por exemplo, o Pix.
Para Victor Constante, advogado especialista em direito societário, a prática ainda acontece também por tradição ou facilidade operacional. Ele orienta que, nesses casos, os produtores rurais e os funcionários das suas propriedades estejam sempre portando também os comprovantes de onde vem o dinheiro.
"Do ponto de vista jurídico, a empresa precisa comprovar a origem lícita dos recursos, manter escrituração contábil regular e respeitar a separação entre o caixa da empresa e o patrimônio pessoal do sócio", explica.
A Polícia Federal informou ao g1 que a apreensão e a custódia de valores seguem a competência investigativa e judicial do caso. Não há previsão legal para envio automático de dinheiro apreendido à Polícia Federal, nem exclusividade da instituição sobre esse tipo de bem.
O g1 questionou a Polícia Federal de Goiás especificamente sobre os desfechos dos casos de Goiânia e Hidrolândia, mas a assessoria de imprensa disse que a instituição não se manifesta sobre investigações relacionadas à apreensão de dinheiro.
Em relação ao caso de Catalão, a Polícia Civil de Goiás informou que ninguém se apresentou reivindicando o valor apreendido até o momento, que foi depositado em conta bancária judicial. O inquérito ainda está em andamento.
O g1 procurou a PF de Brasília, onde a apreensão de Cristalina foi registrada, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
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